Guia de referênciaatualizado em 25 de setembro de 2026

Coleta de dados públicos: fontes, métodos, LGPD e o que faz o dado valer como prova

Coleta de dados públicos é obter, de forma repetível, uma informação que um órgão oficial já publica (cadastro de empresa, certidão, processo, sanção) e guardá-la junto com a prova de onde veio e de quando foi lida. Sem essa prova, o que se tem é uma cópia; com ela, é evidência.

O dado em si raramente é o problema. Ele está lá, gratuito, em algum portal. O trabalho é saber qual portal, passar por ele sem burlar nada, entender a resposta e perceber quando ela envelheceu. Este guia percorre isso de ponta a ponta, inclusive a parte em que automatizar não compensa.

02O que é público

O que conta como dado público

Público é o que o órgão divulga por obrigação legal ou por decisão própria, sem exigir que você prove quem é. A regra geral vem da Lei de Acesso à Informação: publicidade é o padrão, sigilo é a exceção. Na prática, isso aparece de três jeitos diferentes, e cada um pede uma técnica:

01 · Dado aberto

Arquivo para download, publicado em lote. A base do CNPJ da Receita é o exemplo mais usado.

02 · Consulta pública

Um formulário no portal que responde a uma pergunta por vez, quase sempre com captcha. É onde mora a maior parte do que uma empresa precisa verificar.

03 · Documento emitido

A certidão que o portal gera na hora, com número e código de validação. É o único dos três que vale como prova para terceiros.

E o que não é público, por mais que esteja num sistema do governo: dado protegido por sigilo fiscal ou bancário, processo em segredo de justiça, qualquer coisa atrás do login do próprio titular. Coleta que passa por esses lugares deixa de ser coleta de dado público, com ou sem robô.

Quer saber qual órgão responde a cada pergunta sobre uma empresa? O guia de busca de dados públicos organiza isso pergunta por pergunta.

03Métodos

As quatro formas de coletar

Todo fornecedor do setor descreve o método que vende. A comparação inteira é esta, e nenhuma linha ganha em tudo.

Arquivo de dados abertos

Base do CNPJ publicada pela Receita no portal de dados abertos

Atualidade:
Defasada: sai na periodicidade do órgão
Prova:
Não há documento; o arquivo é a fonte
Manter:
Baixo: o formato muda pouco
Serve para:
Análise em massa, enriquecimento de cadastro

API oficial

API do Portal da Transparência

Atualidade:
A do próprio serviço
Prova:
Resposta do órgão, sem documento assinado
Manter:
Baixo, mas poucas fontes oferecem
Serve para:
Integração estável onde ela existe

Robô no portal do órgão

Emissão da CND na PGFN, CNDT no TST, processo no tribunal

Atualidade:
Leitura no instante do pedido
Prova:
PDF emitido pela fonte, com código de validação
Manter:
Alto: portal muda, captcha muda
Serve para:
Certidão, verificação pontual, evidência para auditoria

Base licenciada (bureau)

Cadastros consolidados vendidos por assinatura

Atualidade:
A da última carga do fornecedor
Prova:
Depende do fornecedor; em geral nenhuma da fonte
Manter:
Nenhum do seu lado
Serve para:
Varredura de milhões de registros, triagem, score

A maior parte dos projetos combina duas linhas: dados abertos ou base licenciada para ter o cadastro inteiro à mão, e robô no portal para o momento em que a decisão precisa de documento. Quem tenta resolver tudo com uma só costuma pagar caro na linha errada. A diferença entre as duas últimas está detalhada em sob demanda ou base licenciada.

04Prova de origem

O que faz um dado coletado valer

Um CNPJ copiado de um portal e colado numa planilha é um dado. O mesmo CNPJ com o órgão, o endereço consultado e o instante da leitura é uma evidência: dá para responder a um auditor sem refazer a pesquisa, e dá para saber quando ele envelheceu.

Mas o detalhe que mais separa uma coleta confiável de uma perigosa é outro: os estados do resultado.

Encontrado01
A fonte respondeu e há registro: processo, débito, sanção. Vem com o que a fonte informou.
Nada consta02
A fonte respondeu e disse, com essas palavras, que não há registro. Só isso é resultado negativo.
Não respondeu03
Portal fora do ar, captcha que não passou, tempo esgotado. Não é "nada consta" e não pode virar.
Pendente04
A fonte aceitou o pedido e entrega depois, por protocolo. O resultado ainda não existe.

Boa parte da automação que existe por aí tem só dois: achou ou não achou. Quando o captcha falha, o robô não acha nada, e "não achou" vira "nada consta". É assim que um fornecedor com débito passa numa homologação com o selo de regular.

Pendente merece atenção à parte. Algumas fontes devolvem um protocolo e entregam o documento horas ou dias depois; tratar isso como falha gera cobrança repetida e alarme falso. O artigo sobre coleta assíncrona mostra como lidar.

05IA aplicada

Onde entra a inteligência artificial

Pedir para um modelo de linguagem buscar o dado público é um erro cada vez mais comum. O modelo não consulta a fonte: ele completa o padrão mais provável. Um número de processo inventado tem o mesmo formato de um verdadeiro, e é justamente o tipo de erro que passa numa revisão rápida.

O desenho que funciona separa os papéis:

  1. 01

    O robô consulta.

    Vai ao portal, lê a resposta e guarda o resultado com origem e hora. É determinístico: ou traz o que estava lá, ou avisa que não conseguiu.

  2. 02

    A IA interpreta.

    Resume uma certidão positiva, classifica um processo, redige o parecer. Trabalha só sobre o que foi coletado.

  3. 03

    O sistema confere.

    Todo número que aparece no texto final é comparado com o que o robô coletou. Divergência bloqueia.

Esse é também o caminho mais rápido para um projeto de IA sair do protótipo: a coleta não toca em dado sigiloso da empresa, então roda enquanto o resto ainda está em discussão.

06Base legal

LGPD e dado público

Dado público não é dado livre. A LGPD permite tratá-lo, mas amarra o uso ao motivo pelo qual ele foi publicado: o art. 7º, §3º pede que se considerem a finalidade, a boa-fé e o interesse público que justificaram a divulgação.

A pergunta que resolve

Verificar a regularidade de um fornecedor com a certidão que o próprio órgão publica para isso está dentro da finalidade. Montar um perfil comercial a partir de processos judiciais, não. A pergunta que resolve a maioria dos casos é simples: o órgão publicou isso para que alguém fizesse exatamente o que você vai fazer?

Pelo CNPJ

Coleta feita a partir do CNPJ, sobre a empresa, reduz muito o risco, porque a maior parte do que se consulta é dado da pessoa jurídica. O tratamento completo, com base legal e o papel de controlador e operador, está no artigo dado público é dado pessoal?.

07Custo

Fazer, contratar ou comprar

Montar a coleta dentro de casa parece barato porque o primeiro robô sai em poucos dias. O custo aparece depois, e tem três partes que quase ninguém orça:
  • 01

    Manutenção.

    Portal público muda de layout sem aviso. Cada fonte é um robô, e cada robô quebra no seu próprio calendário.

  • 02

    Captcha e bloqueio.

    Passar respeitando o ritmo do portal exige fila, janela e política de nova tentativa, não só código.

  • 03

    Os estados do resultado.

    Distinguir "nada consta" de "não respondeu" em cada fonte é o trabalho que mais demora e o que mais importa.

Para uma ou duas fontes estáveis, fazer em casa costuma compensar. Para dezenas de órgãos, a conta muda. Quem paga quando o portal muda está em o portal mudou de layout, e a comparação de tempo e erro entre fazer à mão e por robô, em consulta manual vs. RPA.

08O limite

Quando não automatizar

  • Poucas consultas por mês, sempre diferentes. O portal resolve, e o tempo de especificar o robô não volta.
  • Você precisa varrer milhões de registros sem documento nem evidência. Base licenciada ou dado aberto atendem melhor e custam menos.
  • A fonte exige login da própria empresa (certificado digital, e-CAC). Automatizável, mas com autorização formal e outro nível de cuidado.
  • O processo que vai usar o dado ainda não existe. Automatizar antes de decidir o que fazer com o resultado só produz planilha.
09Próximo passo

Como começar

Antes de falar com qualquer fornecedor, inclusive a gente, responda a cinco perguntas:
  1. 1

    Quais CNPJs, e quantos por mês?

  2. 2

    Quais informações ou documentos, de quais órgãos?

  3. 3

    Com que frequência a mesma empresa precisa ser relida?

  4. 4

    Você precisa do PDF oficial, do dado estruturado ou dos dois?

  5. 5

    Onde o resultado tem de chegar: pasta, planilha, ERP, API?

Com isso em mãos, dá para dizer em minutos se a fonte está coberta e se a conta fecha. O catálogo de coletas mostra as 825+ consultas já mapeadas em 108 órgãos, e o passo a passo de uma implantação está em como funciona uma coleta automatizada.

10FAQ

Dúvidas frequentes

Ficou algo de fora?

Fale direto com quem constrói o robô. A gente olha a fonte, o volume e o destino antes de qualquer proposta.

Falar com quem faz a coleta
Atendimento humano · engenharia da Hath

São informações produzidas ou guardadas pelo poder público que qualquer um pode acessar, porque a regra da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) é a publicidade, e o sigilo é a exceção. Sobre uma empresa, são dados públicos a situação cadastral do CNPJ, as certidões de débito, os processos que não correm em segredo de justiça, as sanções administrativas e os contratos com o governo. Público quer dizer acessível, não livre de regra: a LGPD continua valendo para o que identifica alguém.

Fontes e método

Este guia é escrito por quem opera a coleta todos os dias: os estados do resultado, as validades e os exemplos saem da operação da Hath Data e do catálogo público de consultas. Textos legais citados:

A coleta é feita em fonte pública oficial: a Hath Data não é a fonte e não certifica o conteúdo publicado pelo órgão. O serviço é prestado sob contrato, o cliente é o controlador dos dados e declara a finalidade; a Hath atua como operadora. Nomes de órgãos são citados apenas para identificar a fonte, sem vínculo ou endosso. Veja os termos de uso e a política de privacidade.